O título forte desse livro chama a atenção mas a primeira impressão é de que seria algo menos impactante do que o enunciado quando me foi indicado pela minha psicologa durante uma de nossas sessões. Achei melhor comprar o livro no mesmo dia em que me foi recomendado, uma vez que tenho tendência a colocar indicações na minha enorme pilha de afazeres.

Qual não foi minha surpresa em descobrir que o livro, escrito por Hanna Green nos Estados Unidos era de 1964 (época da ditadura militar no Brasil) e traduzido para o português em 1974, dez anos depois. Fiquei imaginando, logo ali na contracapa, o que estava por vir de um livro de certa forma antigo, uma vez que há a diferença de 56 anos no momento de escrita deste artigo.

Ele conta a história da Deborah, uma jovem que é internada aos 16 anos lutando contra esquizofrenia. Sendo assim, posso dizer que a representatividade desse livro para mim, não poderia ser melhor, ele é ao mesmo tempo uma ficção e um relato de psicanalise de uma doença extremamente densa. Parece impossível criar um vínculo com algo que não se tem contato direto, mas é justamente o contrário que acontece, mal o livro começou e em poucas páginas já estava sentindo todas as dificuldades de Deborah cortando fundo meu peito e me deixando pesado durante a leitura.

Bem como se auto intitula, um livro de romance e psicanálise, entrega uma descrição extremamente detalhada e densa sem precisar de linguajar médico. Esse é o ponto, que para mim, ajudou a intensificara sensação de estar ligado a cada "dor", de forma figurativa, a personagem.

Além de acompanharmos Deborah, também somos levados para a realidade dos pais e famíliares dela, o que ajuda a visualizar ainda mais as dificuldades da esquizofrenia. Adicionada a essa perspectiva é colocada uma psicóloga de renome como sua médica, várias personalidades únicas que são pacientes do hospital e são muito importantes não só para a história de Deborah mas também para trazer uma compreensão miníma das interações entre doentes mentais, seus confrontos pessoais consigo mesmos e as interações com o mundo.

A esquizofrenia é demasiado complexa e mesmo assim, na minha visão, Hannah consegue pouco a pouco nos levar para dentro dos mundos de Deborah, esmiuçando e deixando a mostra cada pedaço que compõe o todo dessa maravilhosa personagem.

Com toda essa profundidade fui levado a devorar o livro em poucos dias e ainda assim precisei de pausas, ponderações e lágrimas para atravessá-lo incorporando sua história em minha realidade. Ao terminá-lo tive um lampejo, descobri uma série de verdades sobre mim mesmo através da ótica de uma história pesada e sofrida, e espero poder fazer bom uso dessa visão para tornar minha mente mais saudável, mesmo que só um pouquinho a mais.

É um daqueles poucos livros que merece ser lido e relido ao longo da vida.

Chega de me prometer um jardim de rosas....

Imagem da capa subak214 - Pixabay