Imagem da capa do seriado de propriedade do Netfilx

Vocês  provavelmente estão cansados de ouvir falar disso, observei de longe  por um tempo e li poucos artigos que pegaram a onda do seriado, mas não  consegui evitar quando minha namorada decidiu que queria algo novo para  assistir. Começou assim de longe com ela vendo sozinha e acabou que fui  abduzido pelo seriado, ao menos a história conseguiu me manter preso.  Estou falando de 13 reasons why, o mais novo (depende de quando você ler isso) queridinho do Netflix.

SPOILER ALERT Se você tem tique vai assistir primeiro e volta aqui depois combinado?

“Ah vitor mas o que de tão importante você pode falar sobre esse seriado,  ele é perfeito, você sabe algo sobre isso?” Infelizmente nesse caso sim  eu posso falar mais do que gostaria a respeito desse tipo de assunto.

Vou  começar falando que é absurdamente difícil se expor para tomar qualquer  tipo de posição quando se tem algum nível de relação com bullying,  depressão, suicídio, assédio, estupro, conivência e outros pontos mas  vamos parar de enumerar e seguir em frente.

Vamos  começar pelos pontos que o seriado acertou, infelizmente poucos, sendo o  principal a decisão de retratar uma sorte de questões extremamente  sérias com um programa de televisão num veículo bem abrangente.

Seguindo  para a questão de fato temos a dificuldade de expor a situação, os  sentimentos, de compartilhar ou pedir ajuda para qualquer um que seja no  mundo. Hanna sinaliza diversas vezes que está em apuros mas ninguém “percebe”.

Hanna  é a protagonista que se suicida e que antes disso escreveu 13 fitas  explicando as razões. Acho que isso é um pouco óbvio mas vale a pena  explicar.

Além disso ele acerta na profundidade com a qual um evento que parece “normal” para outras pessoas atinge alguém. A  lista de melhores e piores que lista a bunda de Hanna e o poema íntimo  da garota que “vaza” para escola toda em uma revista publicada por um  aluno são dois exemplos. Para os demais alunos não passam de  coisas corriqueiras que são usadas como entretenimento mas que ferem  Hanna profundamente.

E? Bom é isso aí, mas continue lendo para entender agora a parte do podia ser melhor…

Na  minha visão o seriado explorou mal os pesados temas propostos, e pior  do que isso ele deixa muito aberto para interpretações como as pessoas  deveriam se comportar com relação à essas questões todas. Ou seja acaba  por se perder entre contar bem a história da Hanna e os problemas e  dramas de novela barata adolescente, ok exagero meu a parte, a história é  bem escrita apenas caí no mesmo de sempre “tudo pelo dinheiro”. Tive o  sentimento de que algumas coisas foram montadas no melhor estilo  caça-níquel com o propósito de ter mais temporadas apenas.

Me  perdoem os escritores, espero que a intenção tenha sido boa, mas  falharam em não deixar a história ser apenas uma boa história pois tinha  potencial para mostrar ao mundo que a depressão, o suicídio e uma sorte  de outras questões de forma séria, como deveriam ser tratadas.

Um  exemplo disso é como todos do grupo que está diretamente envolvido nas  fitas, mesmo sabendo que uma das garotas dessa turma foi estuprada  reagem de forma a esconder isso e proteger o estuprador por motivos  escusos. O comportamento da garota demora muito a ser passado como  alguém que sofreu um trauma, e o dos jovens é demasiado plástico. Sendo  que a situação muda somente próximo do fim da temporada e de forma  brusca.

E  piora quando descobrimos que o grupo sabia também que a própria Hanna  havia sido estuprada pelo mesmo cara e eles continuam agindo como se  nada tivesse acontecido em interesse próprio.

No fim os culpados não são apenas os 13 mas toda a sociedade e não tem nem a ponta do iceberg disso no seriado.

Uma excelente comparação pode ser feita com Black Mirror,  que faz melhor com os temas que se propõe à expor, em minha opinião  isso se deve por conta do tamanho pré-determinado para cada caso à ser  contado: apenas um único episódio. O foco e o limite de tempo acabam por  ser ótimos catalisadores para o seriado. Uma dica preciosa para a  segunda temporada de 13 reasons why, não façam  showzinho sensacionalista, sejam realistas e levem para algo além do  dinheiro e da necessidade de ser escolhida para a próxima rodada de  seriados, inspirem-se em quem fez corretamente.

Acredito  que seja necessário dizer que não basta assistir o seriado, ele poderia  retratar melhor a realidade de uma tentativa ou de “sucesso” em cometer  suicídio, de uma depressão profunda, de um bullying que nunca para, de  uma exposição e depravação da sua pessoa. Além de explicar praticamente  nada sobre isso.

Vou deixar o seriado de lado e antes de concluir quero passar sentimentos mais pessoais.

É  intimidador estar sozinho, saber que as pessoas entendem tudo que se  passa na sua vida como drama ou entendem tudo ao contrário.

É  confuso, irritante e suga sua energia de vida servir de piada para  pessoas que deveriam socializar com você passar juntas pela vida de  forma agradável e companheira, até porque elas também estão no colegial.

Complexo  é descrever como é se sentir no fundo do poço se arrastando pelos dias,  desejando que tudo fosse diferente, a vida não tem cores, as horas não  passam, não existe luzinha de esperança, não existe mão amiga, existe  apenas o amargor e a dor. Uma vontade irrefreável de não sair da cama.

E  quando se está do outro lado não é pesado igual para quem sofre, mas  pode se tornar bem confuso com uma sorte de sentimentos misturados, mais  ainda quando você já passou por uma situação similar. Não existe  preparação para isso e consegue ser realmente devastador.

Já  é confuso demais falar de todos esses sentimentos que são possíveis  quando se fala de depressão e suicídio, mas intencionalmente quero  demonstrar ao menos um pouco que o que foi retratado é muito mais sério.

Então  como ir além e entender tudo isso melhor? Para dar essa resposta vou  encurtar um pouco meu artigo com uma proposta de leitura de um outro  artigo meu sobre depressão e suicídio e acredito que o próximo passo deve ser compreender melhor a realidade dos assuntos tratados.

Lembre-se:  tenha mente aberta para modificar sua visão e aprender mais sobre  assuntos tão importantes que por vezes demais ignoramos calados.

Aquele que se omite está apenas empurrando algo próximo do salto em direção ao precipício. por Vitor Navarro.