Categories

  • caixa de chocolates

Tags

  • machismo
  • patriarcado
  • poesia
  • sociedade

Mas eu fui criado assim…

Porra viado, não fode!

Vira homem!

Uma boa surra e ele deixa de ser gay.

Quantas vezes foram?

Faça que nem homem porra!

Tu é bixa ou o que caralho? Faz direito!

Tu comeu ela né? Fala verdade, mo vadia.

Quantas vezes foram?

Maior pegador, pega geral o fulano.

Não chora não, engole o choro.

Vê se cresce, haja que nem homem!

Quantas vezes foram?

Meu marido? Um bunda mole, não é o igual o fulano, mo fortaleza.

Cria barba cacete! Cadê os músculo porra!

Quantas vezes foram?

Eu não sou suas putinha não!

Não vou mais lembrar você de fazer não, parece um moleque.

Vai sair assim? parece uma vagabunda!

Quantas vezes foram?

Se você não parar vai ver só.

Vou ali comprar cigarro.

Ela tava pedindo.

quantas vezes mais?

Está nas palavras.

Está nas ações.

Está nas violências físicas.

Está nas violências psicológicas.

Está nos abusos.

Está nas invasões silenciosas.

Está nos “gestos de cavalheiro”.

Está nas desculpas esfarrapadas.

Está no silêncio e na inação.

Está em mim, está em você, está em todas as pessoas.

Nem todo homem, mas sempre um homem.

O machismo e o patriarcado precisam um do outro.